• Elianni Gaio

Vitamina D - Parte 2 Quais são os Fatores de Risco Comuns Para a Deficiên

Vitamina D – Parte 2

No primeiro artigo desta série, expliquei o que é vitamina D, porque precisamos dessa vitamina, qual a melhor forma de saber se um indivíduo é deficiente em vitamina D, qual é a definição de deficiência de vitamina D, o que se considera um nível saudável de vitamina D e o que a deficiência de vitamina D pode causar.

Neste artigo, vou falar sobre os

.

Fatores de risco comuns na deficiência da vitamina D

Abaixo estão listados alguns fatores de risco comuns, que podem causar deficiência de vitamina D na população num geral:

. Exposição limitada à luz solar e pouco tempo gasto ao ar livre

. Uso habitual de roupas de mangas compridas ou roupas com proteção solar, permanecer na sombra, ou mesmo, uso de filtros ou protetores solar

. Inverno

. Latitude geográfica

. Pigmentação de pele mais escura

. Consumo inadequado de vitamina D na dieta

. Baixa consumo de cálcio na dieta

. Má absorção de gorduras ou outras condições de saúde, como obesidade, diabetes, doença renal crônica, etc.

. Uso de medicamentos que interagem com a vitamina D

. Uso de medicamentos que diminuem a absorção da vitamina D

. Envelhecimento

. Estilo de vida sedentário (1, 2, 3)

O aumento do consumo de vitamina D na forma de suplementos

Na última década, alguns fatores contribuíram para o aumento no consumo de vitamina D na forma de suplementos:

. A crescente consciência dos efeitos benéficos desta vitamina para a saúde

. O aumento do número de pessoas com deficiência de vitamina D como resultado de mudanças radicais em nossa dieta e estilo de vida modernos (pouca exposição ao sol)

. A disponibilidade de vitamina D ser facilmente encontrada em farmácias, mercados, lojas de vitaminas, etc. E que não necessita de prescrição médica

. O crescente o número de prescrições médicas com doses terapêuticas, inclusive mega-doses, sem acompanhamento médico

. Porque indivíduos deficientes, começam a suplementar orientados por seus médicos e, continuam por longos períodos suplementando sem nunca re-testar os níveis de 25(OH)D no sangue

. Também, ao fato que muitos indivíduos imaginam que a vitamina D é um suplemento inofensivo e suplementam com altas doses por conta própria, sem imaginarem que pode ser toxica a saúde (4, 5)

Mas altas doses ou megadoses de vitamina D são seguras?

Como você viu no primeiro artigo, existe muita controvérsia sobre o nível mínimo adequado/saudável de 25(OH)D. Da mesma forma, não há nenhum consenso entre a comunidade de saúde sobre o nível máximo adequado de 25(OH)D.

No entanto, entre os estudos científicos disponíveis há um consenso de que altas doses de vitamina D por longo prazo resultam em um maior risco de hipervitaminose D, com sintomas de hipercalcêmica, também conhecido como toxicidadeda vitamina D.

Na verdade, a vitamina D, como muitos outros nutrientes, segue uma curva em forma de U, que significa que tanto os níveis baixos quanto os muito altos estão associados a resultados negativos, podendo ser perigosos para a saúde. Ou seja, o excesso de um nutriente (mesmo que este nutriente seja ótimo para a saúde como é o caso da vitamina D) potencialmente cria estresse ao corpo, pois, necessitamos do equilíbrio adequado de cada um de nossos nutrientes. (6, 7, 8)

Você já ouviu falar sobre intoxicação por vitamina D ou hipervitaminose D?

A toxicidade da vitamina D (VDT) ou hipervitaminose D, ocorre devido ao excesso de vitamina D e é uma condição clínica caracterizada pela hipercalcemia grave, que persistindo por tempo prolongado, pode levar a graves consequências para a saúde. Pois, na realidade, a hipervitaminose D aumenta os níveis sanguíneos de cálcio, o que aumenta o risco tanto de calcificação vascular, como dos tecidos moles, com danos subsequentes ao coração, vasos sanguíneos e rins.

Existem evidências científicas de que a 25(OH)D em níveis de 56 ng / mL apresentando sintomas de toxicidade. No entanto, a maioria dos casos de toxicidade está associada a níveis superiores a 150-200ng / mL. De qualquer forma, é prudente manter os níveis de 25(OH)D em níveis bem mais baixos, como veremos adiante. (9, 10,,11)

A hipercalcemia da vitamina D está relacionada a:

. Falhas no metabolismo da vitamina D

. Ingestão excessiva a longo prazo de megadoses de vitamina D

. A existência de doença coincidente que produz o metabólito ativo da vitamina D localmente (doença granulo matosa)

. Mutações do gene CYP24A1

Sintomas de toxicidade da vitamina D

No caso da toxicidade da vitamina D pode causar sintomas inespecíficos que podem variar muito de pessoa para pessoa e, abaixo listo alguns deles:

. Hipercalcemia

. Dores de cabeça

. Confusão mental

. Apatia

. Baixa densidade óssea

. Ataque cardíaco

. Derrames

. Pedra nos rins

. Vômito recorrente

. Dor abdominal

. Desidratação

. Lesão renal aguda, etc.

Além disso, alguns testes laboratoriais durante exames clínicos de rotina revelam hipercalcemia assintomática causada pela ingestão de vitamina D mesmo em doses recomendadas para a população em geral e consideradas seguras. Esse fenômeno, chamado de hipersensibilidade à vitamina D, reflete a absorção desregulada de vitamina D.

É por este motivo é muito importante estarmos cientes dos efeitos colaterais da suplementação excessiva de vitamina D, geralmente esquecidos. E, informados sobre os possíveis efeitos nocivos da automedicação com altas doses de nutrientes que estão amplamente disponíveis para nós e que parecem inofensivos. (12, 13, 14)

Vitamina D e a pandemia de corona vírus

Existem inúmeras evidências de que a vitamina D desempenha um papel essencial no sistema imunológico, pois possui atividade antimicrobiana contra bactérias, fungos, vírus, etc. Além disso, inibe a produção de citosinas pró-inflamatórias e aumenta a produção de citosinas anti-inflamatórias.

Assim, considerando a atual pandemia de COVID-19, em que é essencial ou mesmo obrigatória a proteção de nosso sistema imunológico visto que não temos disponíveis medicamentos preventivos e curativos eficazes, parece que a vitamina D ganhou ainda mais notoriedade.

No entanto, como mencionado antes, alguns nutrientes, incluindo a vitamina D, seguem uma curva em forma de “U”, onde os níveis muito baixos e muito altos nesta curva, estão associados a resultados negativos para a saúde. E os indivíduos com níveis de vitamina D na base ou na parte inferior da curva U parecem ser os que apresentam menos complicações quando expostos ao vírus. (15, 16)

Quais são os níveis de vitamina D recomendados durante a pandemia?

Como você pode ver acima, os níveis ideais de 25(OH)D já era um tópico controverso mesmo antes da pandemia e continua da mesma forma, com uma infinidade de opiniões diferentes. O que pode ser muito estressante e confuso na hora de decidir em quem acreditar, não é mesmo?

Desta forma, abaixo seguem sugestões de pessoas devotadas a área da saúde e totalmente baseadas em exaustivas pesquisas:

De acordo com um de meus professores e mentor Chris Kresser, renomado líder e educador de destaque nas áreas de medicina funcional e saúde ancestral, não existe nenhuma evidência científica de que níveis de 25(OH)D acima de 60 ng/mL possam fornecer qualquer proteção adicional. Por outro lado, ele diz que há evidências de que níveis mais altos do que isso podem aumentar o risco de infecção por COVID-19 com complicações mais graves.

Assim, Chris diz que “existem inúmeras pesquisas cientificas apontando para um mínimo de 25(OH)D de 30 ng/mL e um máximo possível de 60 ng/mL” como níveis ideais. E você poderá obter mais informações aqui.

De acordo com o Dr. Chris Masterjohn, bioquímico nutricional PhD, especialista em conduzir e interpretar pesquisas científicas, considerou que "embora o risco de contrair COVID-19 com serias complicações seja alto quando os níveis de vitamina D do individuo estão baixos, da mesma forma, há um ponto em que, embora a vitamina D do individuo esteja em níveis mais elevados, também aumenta o risco de COVID-19 com complicações graves” (respeitando a curva em forma de U).

Dr. Masterjohn diz que "os níveis aparentemente ideais de 25(OH)D no momento estão entre 30-40 ng/mL". E ele indica o uso de suplementos apenas quando o indivíduo esta abaixo e precisa ficar nesta faixa entre 30-40 ou na base da curva em U. E você poderá obter mais informações aqui.

A natureza tem sua própria sabedoria e desta forma nosso corpo precisa de equilíbrio ou seja, da quantidade adequada de cada nutriente para ser perfeitamente eficaz.

Como você pode ver, é imperativo estarmos cientes dos possíveis efeitos prejudiciais da auto-suplementação com altas doses de algumas vitaminas e minerais. Topico comumente esquecido pela comunidade de saúde.

Espero que tenha sido útil. E, por favor, deixe teu comentário ou pergunta no link abaixo.

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